Projeto Akauã leva brincadeiras ancestrais para escolas

A partir de estações do brincar, crianças aprendem sobre a riqueza cultural dos povos originários.


Literatura indígena, cozinha ancestral, instrumentos musicais, tintas naturais e argila. A partir de estações do brincar, o projeto “Akauã, círculos de cantos e encantos do brincar ancestral para a infância” resgata brincadeiras ancestrais e populares e compartilha, de forma lúdica, a riqueza cultural dos povos ancestrais.

“Akauã é um gavião pequeno e esperto. Assim como as crianças, que são pequenas e espertas. No projeto, resgatamos essas brincadeiras ancestrais, que estão sendo esquecidas. Rio Preto é terra indígena. Rio Preto tem sua história com povos originários, então levamos esse conhecimento para as crianças de maneira muito poética, de maneira que entenda o que é a ancestralidade por meio do brincar”, conta Neny Luá, da etnia Mbaraio Aruã do Marajó. No último Censo Demográfico do IBGE (2022), 309 pessoas se autodeclararam indígenas na cidade.

Neny e Gizele Juá Erã, originária do povo Kixelô Kariri do Ceará, fundaram a Educar Ancestral, iniciativa comprometida com transmitir experiências conectadas com a ancestralidade dos povos tradicionais com suas ricas manifestações culturais. Nas últimas semanas, as duas educadoras indígenas estiveram em quatro escolas da rede municipal para partilhar as vivências com os alunos da rede pública.

Na última sexta-feira, 24 de abril, foi a vez dos alunos da Escola Municipal Osni Assis Pereira, no Egydio Zani, participarem da brincadeira. “Ficamos muito felizes em receber este projeto, porque é um direito das crianças, e elas precisam ter esse contato com as diferentes culturas, principalmente com a cultura indígena, que faz parte da história do nosso país. As crianças aprendem muito, descobrem muitas coisas, e nós também aprendemos”, conta a coordenadora pedagógica Amanda Severiano da Silva. A escola atende cerca de 240 alunos de zero a cinco anos.

Além da Osni, as escolas municipais Soldadinho de Chumbo, Professora Guiomar Maia e Neide Egéa Laguna também receberam o projeto em abril. O Akauã tem fomento da Lei Nelson Seixas.

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Estações

Cada grupo de crianças fica em torno de 60 minutos e podem experimentar livremente as estações do brincar. Geralmente, os pequenos querem tocar os instrumentos musicais, fazer comidinhas, modelar a argila, pintar com as tintas naturais e folhear os livros de autores indígenas. Ah, e ainda tem um cantinho do descanso com um balanço muito peculiar! Ao final, em uma roda de conversa, todos são convidados a falar um pouquinho sobre a experiência e ouvem, atentos, a história do pássaro Akauã.

Em uma turma de 4 e 5 anos, na escola Osni, as crianças rapidamente se dividiram nas estações, principalmente com os instrumentos musicais e os utensílios domésticos da cozinha ancestral. Elas perguntam, a todo momento, sobre o nome e a utilidade dos equipamentos. E testam. E mudam de estação. E se divertem. E aprendem.

Esta iniciativa contempla os itens 4, 10, 11, 16, 17 e 18 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Educação de Qualidade (4), Redução das Desigualdades (10), Cidades e Comunidades Sustentáveis (11), Paz, Justiça e Instituições Eficazes (16), Parcerias e Meios de Implementação (17) e Igualdade Étnico-Racial (18). Conheça a Agenda 2030: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.